segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Prostituta

Entre um coração disparado e outro cigarro, observo esta meia calça levemente abaixada, timidamente despida, florindo um buquê robusto diante de meus olhos quase opacos, quase ocos.
Escarro nessa cara negra de puta, rasgo os 60, os 80 fios já puidos que agora mesmo se deitavam sobre os pés ossudos e quase masculinos da mulher.
Ela me olha assustada, sem entender a mudança que ocorreu em seu rosto, de prazer transformado em medo.

Esse mesmo medo é o meu prazer e gozo. Gozo aromas sujos e quimicamente pesados, lembrando almoxarifados hospitalares.
Pego a meia-calça em frangalhos. Uma espécie de souvenir que vai se juntar a uma coleção freak.
Ela se exprime contra a parede e ensaia um ponta-pé. Deixo o dinheiro sobre a cama e saio.
Saio para a noite leve de primavera, infantil, soprando uma brisa doce, despindo o ardor das damas-da-noite.

4 comentários:

Luiz Ricardo disse...

mas que vida boêmia (ou não) eim andrei! hehe esqueci que tu tinhasss blogg!! adicionei voce laaaaa! adios =)

cássia guerra disse...

consigo transformar as tuas palavras em cenas fidedignas em minha mente. acho que compreendes o esplendor que há nisso, não é mesmo?
lindo.

Carolina Pires disse...

Majestoso, esplêndido.

não há outra maneira pra descrever-te.

Gabriel Abreu disse...

ORRAX!
gostei bastante!
=B
^^