quinta-feira, 27 de março de 2008

Vagamente Profissionais

Há profissionais para absolutamente tudo, hoje. A cada momento criam-se novas e específicas subdivisões para a atuação profissional. Paradoxalmente, mas nem tanto, existem os profissionais sobre tudo. Estes se dividem entre jornalistas, advogados, críticos, políticos, diplomatas e até médicos, passando por outras profissões de base. Base esta, para a específica especialização geral.

Suas opiniões são vastas, mas tão superificiais que em alguns momentos pode-se até sentir o ar de irracionalidade, de discuro ensaiado. Jornalistas e políticos conseguem notas excepcionalmente altas nestas cadeiras.
O problema nisso? Absolutamente nenhum, desde que se tenha a humildade de aprender, não ter a vergonha de perguntar e questionar, e ter tudo isso admitido de forma clara para si mesmo.

Certa vez, uma não tão velha jornalista, mas com nome consolidado por sua extrema dedicação, me confessou que para extrair o melhor de seus entrevistados, era preciso que deixasse claro para os mesmos sobre o seu nível de ignorância para com o assunto e que era preciso ouvir, principalmente, muito mais do que vir armada de perguntas pré-concebidas. A troca de conhecimentos em detrimento do questinamento.
Pois como já ensinava Paulo Freire "Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."

segunda-feira, 24 de março de 2008

a(u)tor

Atores de verdade nos fazem condenar atitudes que consideramos normais na vida fora da luz baixa e dos assentos voltados para o palco.
O verdadeiro ator nos recria durante a sua presença. Mesmo sendo esta, uma mentira temporária.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Eu com a música.

A música.


Ah, a música!
A música me lembra os dias em que saia da rota seguida diariamente.
Essa música gostosa, leve, de um balanço quase infantil.

Me guiava pelas ruas, pelas janelas. Fechado na música, ela me contava histórias, me falava de dramas distantes e mitologias perfeitas. Me falava de amores.
Por que se fala tanto de amor nas músicas?

Ela transformava a agonia da espera, uma idealização de futuro. Futuro junto ao seu.
E fazia o momento tão esperado, lhe ver sorridente abrindo a porta de sua casa e falando da sua preocupação com a minha demora, parecerem instantes.

Hoje a tomo em doses controladas, pros sabores do saudosismo que tenho desses momentos não se dissiparem nas rotas do meu dia-a-dia.

terça-feira, 4 de março de 2008

redação escolar

Caos urbano pós-revolução industrial; não há tempo para o tempo neste espaço. A vida, aqui, só pega seu raio de sol se penetrar na pressa, na competitividade, na "falta-de-tempo".

Quando tiramos um tempo para respirar e parar para pensar em nossas aspirações além do horizonte cotidiano, geralmente estacamos perplexos no "porque?": Por que e para onde correr? Por que tudo isso? Qual o porquê dessa falta de calma?

A paciência se tornou rara para todos, invariavelmente. Já não existe nem para os filósofos-por-opção ou para os que procuram fugir à regra, já que nessa a calma foi há muito expulsa e exilada. Seja no trânsito, em casa, no trabalho ou com os amigos, sempre há um espacinho para a irritação e a falta de discernimento permearem. Na verdade, pode-se dizer que temos assentos reservados para a falta de paciência, patologia do mundo moderno.
Ela nos assiste infartar, ficarmos melancólicos, perdermos a postura e a linha, irracionalizar.


"Nós queremos o mundo e nós queremos já!" diziam rebeldes, há muito sem paciência, na década de 1960.
A falta de paciência já moveu multidões, reevoluções, quedas e melhorias. Mas tal ideologia revolucionária está aplicada no dia-a-dia, queremos tudo e queremos já! Pois é isso que nos é exigido e ensinado desde muito antes da formação de nosso caráter.

Não preciso de argumentos nem provas, na realidade, pois é possível constatar por si só, olhando o caos a sua volta e dentro de você.

Verdade que talvez você não tenha paciência para tanto.