quarta-feira, 24 de agosto de 2011

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As palavras correm livres indevidamente, mas se sou capaz de sentir o calor que emanas, então elas perdem os sentidos e só sabem correr entre meus dedos trêmulos. Eu estou controlando mais os meus dedos... Lembra como eles tremiam pela manhã, quando acendia o meu segundo cigarro? Segundo, pois o primeiro nunca estavas presente. O primeiro é sempre solitário, autoridade das manhãs. Enfim, não te lembras. Ou eu que não lembro se tua memória iria tão longe, a ponto de lembrar do que não nos aconteceu. Mas é que essa unidade me é autoritária, mesmo não sendo a primeira. É a primeira de hoje, que não é mais manhã. E essas palavras, ainda não aprendi a controlá-las, então escondo-as no porão e apresento meu quarto - com muitas palavras - forçando transparecer a sensação de que ele é o meu self.
- Venha, não repara a bagunça - eu não acredito verdadeiramente que esteja bagunçado - pode ficar à vontade. E assim, sem perceber, eu o deixo sozinho cômodo incômodo no meu cômodo eu.

3 comentários:

bruno disse...

Hoje, te adverti, mas só por pirraça, que o último era na verdade o primeiro.
Claro, não há verdade mais tola, e sei que falas do primeiro cigarro da manhã, não o do dia. O primeiro cigarro, o pecado original, talvez a tentativa diária de ser o primeiro cigarro, lembrar como o primeiro, confundir, lembrar, ser. A memória pode ir tão longe que colapsa, sem reparar a bagunça (dos primeiros cigarros).

Andrei Meurer disse...

Eu notei, mas não tinha certeza se aquilo era uma referência ao texto. De forma que repeti teimoso "não, esse aqui me é o último."
Deve ser mania sua.
Não.
Deve ser mania minha.

bruno disse...

Manias mútuas, por certo.