sábado, 16 de agosto de 2008

um sábado

Mesmo com o esforço das pás deste ventilador o ar continua imóvel, denso, quente, úmido.
Ele está logo ali, em meio aos lençois e um pouco de suor. Parece não reconhecer sua cama. Parece haver um desconforto maior.
Cheguemos mais perto para ver o que acontece.

Ah! Apenas uma batalha comum, paixão e medo.
Ele acha que é amor dessa vez, que nao vai cansar dessa vez, nem vai se decepcionar dessa vez, ou se irritar dessa vez.
Porém, por vez ou outra se dá conta dos perigos e da sujeira do mundo e das pessoas. Não sendo suficiente, logo cai no lirismo outra vez e retoma sua barca que navega por entre orquídeas brancas e vermelhas.

Agora treme. Parece febril. Há sede nestes corpos.
A campainha toca.
Levanta-se e abre a porta, portando apenas sua roupa de baixo branca.
Quem quer que fosse, se fosse importante, nao se importaria. A sede faz os corpos delirarem!
Ele pensou em falar. E quando inspirou, não havia ninguém.
Estava louco sujo acordado excitado de baixo daqueles lençóis frios quentes.

Voltou para a cama.

Dessa vez pensava nas pessoas que queria que estivessem lá, paradas, emolduradas pela sua porta. Não achou ninguém a não ser... enfim, nunca tocaria sua campainha mesmo. Percebeu que não tinha lógica em atender aos chamados do mundo lá fora, afinal o tal mundo ingrato só lhe trazia o calor enjoativo da estação.

[...]

Não havia por que permanecer alí.
Despiu-se por completo e deitou-se no chão gelado, acolhedor e laminado.
Percebeu que estava perdendo muitos pelos por que, puta merda, aquele chão estava imundo com tantos fios soltos, em vários formatos e tamanhos e espessuras tendo em comum o único fato de serem negros.

A campainha tocou pois cansei dessa ladainha.

4 comentários:

Marco Kauling disse...

bónito. sensações e sentidos aflorados.carne e sentimento. ah! humano. agrada-me.

Carolina Pires disse...

acho que a carne e o sentimento, que nem diz o comentário acima, te agradam, tanto quanto me agradam. Existe coisa melhor para escrever sobre?

Rosa Aragón disse...

Contradizendo o comentário anterior, na verdade acho que tem sim: críticas ao mundo e momentos peculiares.
Mas Andrei faz o clichê tornar-se inusitado.
Adoro sua maneira baby boy!
Adoro você.

cássia g. disse...

"Mas Andrei faz o clichê tornar-se inusitado."
Te admiro muito, sabias?

*www.malditascalcinhas.blogspot.com*